20 Julho, 2007

(mini)Entrevista com Colin Hay

Ele foi líder de uma das maiores bandas dos anos 80 e comecinho dos 90, emplacou vários hits, lançou disco gravado ao vivo no Brasil Colin Haye quase ninguém por aqui sequer sabe o nome dele. Já o da sua banda, a australiana Men At Work, remete quase que instantaneamente a um riffzinho dançante de guitarra.

Eu participei, em outubro de 2004, de uma entrevista coletiva com o cantor Colin Hay, quando ele veio ao Brasil para uma turnê solo. Selecionei aqui algumas (poucas) perguntas que eu tenho quase certeza que fui eu que fiz (…!), em que ele conta sobre como seu show começou a se misturar um pouco com uma stand-up comedy. E acreditem, ele realmente é um cara engraçado.

Você é conhecido por seu bom humor, por ser uma pessoa engraçada. O que isso representa pra você, o que significa na sua vida?

É mais interessante pra mim… Quando o Men at Work acabou e fui chutado das grandes gravadoras, eu comecei a fazer shows acústicos lá em Melbourne para poucas pessoas, umas 4, 5 pessoas. Isto poderia ser deprimente, mas ao invés disso comecei a contar piadas pra me divertir. Aí isso cresceu e se tornou o foco do show, não foi planejado, às vezes as coisas simplesmente acontecem.

Por que você decidiu regravar músicas do Men at Work em seu novo trabalho?

Essa é uma boa pergunta… Porque há alguns anos, eu estava regravando algumas dessas músicas em versões acústicas, para um projeto que acabou não rolando, não aconteceu. Mas aí esse selo, que lançou o Men at Work, o Compass, se interessou e me perguntou se eu consideraria gravar músicas da banda. Foi meio que como uma ferramenta de marketing, porque ninguém ouvia falar de mim há quinze anos, lancei CD’s solo que passaram praticamente despercebidos. Regravar, fazer retrospectiva, é uma estratégia de marketing.

E por que não tem nesse CD Into My Life, um sucesso da sua carreira solo?

Eu esqueci! Ela não fez tanto sucesso nos EUA, esqueci que tinha feito sucesso aqui. Nem gosto tanto dessa música.

20 Julho, 2007

curioso…

Desde que eu criei este blog, descobri que pessoas procuram por “denis von brasche” (assim, escrito direitinho!) e até por dvblog no google…!

Vê se pode! Quem faria isso?!

 Teve gente já que chegou no meu blog com buscas ainda mais esquisitas, algo como “como saber quando alguém está te p” (e que eu suponho que a última palavra seja “paquerando”), mas uma pena que eu não guardei essas pérolas…!

19 Julho, 2007

Pra não morrer na praia…

Tá vergonhoso. Eu sei. Mais de um mês sem atualização.

Quando eu tô por aí, fico cheio de idéias, pensando mil coisas, legais ou engraçadas, que eu até poderia publicar aqui. Mas quando sento na frente do computador, simplesmente não tenho vontade de escrever nada. Nem mesmo as entrevistas que fiz, não tô mais achando interessantes…

Depois que publiquei estas duas, até pensei em fazer um post sobre um insight que eu tive – achava ter descoberto uma coisa que gostava de fazer no jornalismo: entrevistar. Lembrei das tantas entrevistas que tinha feito e pensei no quanto gostava de conhecer pessoas, ouvir suas histórias. É gostoso e às vezes a gente fica sabendo de coisas muito fodas. Inclusive (e talvez principalmente…) com pessoas mais velhas. Duas das melhores entrevistas que fiz foram com um senhor ex-roqueiro porra louca muito das antigas, que vocês não devem conhecer (eu não tinha ouvido falar até o dia que me passaram a pauta), chamado Wayne Kramer, de uma banda chamada MC5 (já pro google!); e a outra com uma senhora que ficou conhecida como a maior groupie da história, uma tal de Pamela Des Barres (Pamela Ann Miller quando solteira – google?), que no seu rol de amores e casinhos tem nomes como Jimmy Page, Jim Morrison, Keith Moon, Jimi Hendrix e Frank Zappa.

Ouvir de um cara que foi o precursor do que viria a ser chamado de punk rock sobre como se envolveu com tráfico de drogas e como ser preso acabou salvando sua vida (e sua contribuição pra música com arranjos de revolta política e atitude!) e de uma mulher que teve influência no Led Zeppelin sobre o dia em que deu um fora naquele que era o maior garanhão do rock’n'roll, o rei do rebolado Elvis Presley, acho muito foda!

Enfim, isso pelo menos rendeu alguma coisinha. Um post. Vamos ver se quem sabe assim vem mais por aí…

15 Junho, 2007

Entrevista com Lúcio Maia

Lúcio MaiaLúcio Maia, da Nação Zumbi, é conhecido por sua inventividade como guitarrista. Em nossa conversa, falamos sobre a criação da trilha sonora do polêmico Amarelo Manga, o cenário cultural de Recife e sobre a sua metodologia de vida, de estar sempre com a cabeça no futuro. Juntar um cara que gosta de falar com um que gosta de ouvir dá nisso: o texto é longo, mas o papo é bom. Aproveite – a cerveja e o amendoim são opcionais.

Já tinha pensado em fazer trilhas?

Eu gosto muito de cinema, não só eu como os caras [Nação Zumbi] também, a gente sempre teve uma relação muito próxima com cinema etc. Meu primeiro convite foi na época do Baile Perfumado, em 94. Aquele foi o primeiro contato direto que eu tive com trilha sonora e como é que se trabalha em cima de roteiro, em cima de imagem, essas coisas todas. Então quando o Cláudio Assis fez o convite pra fazer essa trilha [Amarelo Manga], a coisa já tava bem mais amadurecida na cabeça da gente, na maneira de como conduzir, então a gente preferiu ao invés de fazer em cima do roteiro, fazer em cima das imagens. Então ele rodou o filme inteiro e depois a gente se apoderou das imagens e dali a gente começou a compor. Criou mais clima dentro daqueles cenários, da composição música-imagem, ficou mais fácil da gente trabalhar. E eu achei bem mais divertido também dessa forma, com uma idéia já pré-concebida. Porque você tentar criar em cima de um roteiro fica muito vago, porque cada um cria uma imagem do seu personagem, cada um cria uma imagem na cabeça daquela cena, então dispersa demais; é melhor quando já tem uma idéia pré-concebida e dali você dá continuidade, dali você começa a compor.

Como foi o contato com o Cláudio Assis?

Na real, foi depois do Baile. Num bar à noite, ele chegou falando “Consegui terminar meu longa, agora vou fazer captação e eu quero que vocês façam a trilha!”. Eu e Jorge [du Peixe], no caso. De lá pra cá levou uns 5 anos. Desde o momento que ele conversou a primeira vez com a gente até hoje, levou bastante tempo. Os problemas que existem no Brasil pra você captar dinheiro, pra fazer filme etc. O dinheiro nunca dá, então você tem uma grana pra começar o filme, aí tem que arrumar outra pra terminar e outra pra finalizar. Quando a gente viu o roteiro do Amarelo Manga, todo mundo gostou pra caramba, eu e Jorge achamos super interessante. E achamos também que ia ser legal a gente criar uma áurea dentro do filme, que não precisasse necessariamente ter essa identificação com mangue ou com Recife, com a cena da cidade. O filme acontece em Recife, mas na verdade aquele filme pode ser em qualquer lugar, pode ser no Irã, sei lá. Então a gente não quis ficar preso a ficar criando estereótipo musical, colocar uma rabeca, uma sanfona. A gente quis se desprender totalmente disso e deixar com que o filme pudesse alcançar vários lugares, sem precisar ser taxado como uma coisa. Sei lá, meio world music, sabe, como se fosse um “world groove”, que desse pra ele ter um alcance grande. Então essa foi a idéia principal de que a gente partiu pra fazer a trilha.

E rola uma identificação com o filme?

Ah, total, cara, é um filme bem recifense, eu diria. É um filme bem normal, assim do dia-a-dia, tem essas escabrosidades – você precisa primeiro conhecer o perfil do diretor, de Cláudio Assis, que o filme é a cara dele. Ele sempre foi um cara bem peculiar de comportamento, de atitude. Então logicamente a gente topou fazer, porque era muito interessante usar o contato que a gente já tinha diário com o Cláudio Assis, sabendo as coisas que ele fazia, que ele escrevia, que ele falava. Ele sempre foi um cara meio maldito pra muita gente aqui na cidade, porque ele fala o que acha, o que pensa e geralmente isso incomoda muita gente. Então esse tipo de subversão é bem interessante de se trabalhar. E teve bem mais repercussão do que a gente imaginou. Sem contar que é um filme completamente fora dos padrões comuns, começa com uma mulher mandando todo mundo tomar no cu. É bem pesado, mas ao mesmo tempo é um filme que quebra essa cortina da mediocridade, da gente achar que o mundo não é desse jeito – é muito assim, muito mais do que a gente pensa. Acho que não tem nem classe social que diferencie essas coisas, acontece em qualquer lugar. Tanto na favela quanto na zona sul tem gente desse jeito, mulher indignada, mulher mal-amada, homossexuais que não conseguem ter uma valorização na vida ou não conseguem se dar bem amorosamente etc. Manter a leitura →

30 Maio, 2007

Entrevista com André Abujamra

André AbujamraBom, o André Abujamra dispensa apresentações…

Então segue sua entrevista, em que conversamos sobre trilhas sonoras e seu processo criativo.

Quantas e quais trilhas você fez?

Vinte. Carlota Joaquina, Carandiru, Caminho das Nuvens, Os Matadores, As Três Marias, Copo de Cólera, Castelo Rá-Tim-Bum, Bicho de Sete Cabeças, Durval Discos, Ação Entre Amigos, 1,99 – Um Supermercado que Vende Palavras, Nem Gravata Nem Honra… Cara, uma porrada!

Pra você, qual é o papel da trilha no filme?

O meu sonho quando eu era pequenininho era fazer música pra cinema, então eu acho que é quase 50%, seria 40% do filme a trilha. Isso somando a música com o som do filme, claro. Falando em porcentagem, da importância, assim, eu acho que é quase 50%, vai…

Como você pensa a trilha?

Olha, isso aí é muito louco, porque cinema é uma arte que engloba todas as artes, então depende muito do diretor. Cada trabalho de cinema, de trilha sonora de cinema é uma coisa completamente nova pra mim, não existe nenhuma regra. Não existe nada parecido, nem uma trilha com a outra, porque tem diretor que quer a música antes dele filmar, tem diretor que dá o filme pronto pra você fazer a música, tem diretor que já sabe que tipo de música que quer, tem diretor que quer que você invente do nada, então cada experiência de uma trilha é única. Isso eu acho um tesão e eu sempre tento me diferenciar – por exemplo, o Castelo Rá-Tim-Bum eu fiz com uma orquestra sinfônica e o Bicho de Sete Cabeças eu fiz tocando tudo sozinho. Manter a leitura →